O avanço do conflito entre Estados Unidos e Irã pode gerar efeitos sobre inflação, combustíveis e juros no Brasil. Em entrevista ao Mercado e Companhia, o economista Jason Vieira afirmou que o impacto depende do tempo de duração das tensões e que os mercados tendem a reagir no curto prazo.
Confira:
Impacto depende da duração do conflito
Vieira afirmou que os reflexos sobre petróleo e câmbio estão ligados ao tempo de permanência do cenário internacional. “Tudo isso é uma dependência temporal, ou seja, isso vai depender do quanto tempo o conflito vai se estender. E os efeitos de curto prazo, eles se dissipam relativamente rápido”, disse.
Ele comparou o momento atual com o início da guerra na Ucrânia, quando houve impacto sobre grãos, potássio, gás e petróleo. Segundo o economista, com o passar do tempo, parte dos efeitos perdeu força nos mercados, apesar da continuidade do conflito.
Vieira também citou riscos logísticos relacionados ao Estreito de Ormuz, com possível aumento no custo do frete marítimo e reflexos sobre combustíveis.
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Defasagem nos combustíveis
Gasolina e diesel estão abaixo do preço internacional. Para o economista, já haveria necessidade de reajuste. “Não, já deveria haver reajuste. Nós sabemos que a política da Petrobras, ela vai muito mais confluente com a política do governo do que efetivamente com a política da empresa”, afirmou.
Ele disse que uma eventual normalização da situação envolvendo o Irã pode ampliar a oferta de petróleo no mercado formal, o que teria impacto sobre os preços da commodity.
Juros e atuação do Banco Central
Vieira avaliou que o Banco Central já atua com cautela diante dos dados recentes de inflação. “Eu acho que o Banco Central já vem agindo com cautela por causa do último IPCA”, disse.
Ele citou a divulgação do PIB e afirmou que houve impacto da taxa de juros sobre a formação de capital fixo, o consumo das famílias e a indústria. Segundo o economista, bancos centrais não costumam reagir a eventos de curto prazo.
“O importante é se observar que agora o Banco Central pode ficar muito mais pela influência do que já está acontecendo do que por esses eventos, porque normalmente o Banco Central ele não se afeta por eventos de alta frequência ou de eventos de curto prazo até que eles criem efeitos reais na economia”, afirmou.
Vieira acrescentou que uma postura mais conservadora dependerá da duração do conflito. “Ele vai ficar mais conservador caso esses eventos perdurem”, disse.
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